O título
acima é de uma famosa música que fala sobre estrada, caminho, chegada e percurso. Quando
pensava no que escrever para o artigo dessa semana, pensei nele: O dólar! Mas
porque a taxa de câmbio no Brasil anda tão volátil e porque a moeda está se
desvalorizando com tamanha velocidade? Na
minha humilde avaliação, existem três pontos básicos.
a) O grau de confiança na economia brasileira vem
diminuindo, a saída de capitais e a desaceleração e até alguns cancelamentos de
investimentos no país, vem mudando a percepção do investidor estrangeiro,
assim, para sair de seus investimentos em carteira no Brasil o mesmo vende seus
ativos locais em troca reais por dólares para repatriar ou realocar seus
recursos, o que pela lei da oferta e da procura valoriza a taxa de câmbio.
b) A gestão econômica brasileira é “Desenvolvimentista”
essa corrente ligada aos professores de economia da Unicamp, pensam que a indústria
brasileira deve ser protegida da concorrência Chinesa e para isso devemos criar
impostos contra os mesmos, dar crédito a "taxas de governo" a indústria nacional e
desvalorizar a moeda (Real) para que os nossos produtos se tornem competitivos,
mesmo não sendo os mais eficientes.
c) FED: O banco central norte americano é quem dará o real tom da taxa de câmbio no Brasil, se os estímulos forem gradativamente retirados e ocorrer uma elevação da sua taxa de juros o jogo muda e nem o BC brasileiro será capaz de conter o nervosismo nos mercado pelo menos no curto prazo. Assim esse é o principal “driver” para a câmbio e outras variáveis de investimentos no ano, assim resta apenas esperar porque a “Estrada é longa e sinuosa” como diz a canção dos Beatles.
Agora,
que falei das prováveis causas, vamos para algumas as conseqüências:
1)
Inflação: A
taxa de câmbio mais elevada, em uma país com elevada dependência externa em sua
matriz produtiva leva ao aumento da inflação, como a nossa “industria nacional”
é bastante ineficiente em comparação com os padrões internacionais, a sociedade
local paga o custo dos produtos “subsidiados” pelo câmbio e pela falta de competitividade
da industria nacional.
2)
Ineficiência:
Com a manada de subsídios concedidos pelo governo, via desonerações fiscais ou
mesmo via ajuda do “papai BNDES” o produto genuinamente brasileiro é mais caro
que o produto importando, não porque é pior (geralmente sim), mas sim porque
não atende aos padrões internacionais e é ineficiente do ponto de vista
produtivo, o que gera a clássica perda de bem-estar da sociedade pela ineficiência
de produção e comercio internacional, pois o Brasil que hoje tem o presidente
da OMC tem uma das menores taxas de comercio do mundo.
3) Petrobrás e Balança
Comercial: Mas nem tudo é ruim com a desvalorização do real, as exportações dos
produtos ineficientes são marginalmente beneficiadas, já os eficientes
funcionam bem em “quase qualquer” regime de câmbio, como por exemplo, o agronegócio.
Mas a balança comercial tem sido punida com o “déficit” gerado pela Petro por importar petróleo refinado em diferença a exportação do petróleo bruto
de baixo valor agregado, ou seja, vendemos por 100 e recompramos por 200, logo
a conta não vai fechar e o resultado do saldo comercial nacional é o pior da
história, um déficit de US$ 4,98 bilhões no ano de 2013.
4) Reservas: Provável
queda das reservas comerciais, geradas pela queda do saldo comercial e gastos
do BACEN na tentativa de “lutar” contra o mercado para conter a taxa de câmbio, e apenas lembrando o problema
não é a taxa de câmbio, mas a falta eficiência produtiva brasileira.
5) Mercado
Futuro e Dividas: A elevada volatilidade causada nas últimas semanas por sinais
confusos da dupla Fazenda e BACEN, acertando apenas na sexta-feira (23/08), vai criará problemas
nos balanços das empresas nacionais que tem elevada exposição em divida
estrangeira contratadas a taxas muito baixas nos seus mercados de origem, mas
isso vai mudar em breve...
Não
vou me delongar sobre esses fatos e fazer previsões sobre a taxa de câmbio (já
tinha falado em fevereiro desse ano que ela iria a R$ 2,50), mas o que mais
gostaria de dizer é que estamos do lado do Brasil, independente de A ou B, o
mais importante é manter as conquistas atuais do país com equilíbrio fiscal e estabilidade
monetária, afinal esses são valores econômicos inalienáveis.

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