domingo, 25 de agosto de 2013

The Long And Winding Road – A taxa de câmbio no Brasil

O título acima é de uma famosa música que fala sobre estrada, caminho, chegada e percurso. Quando pensava no que escrever para o artigo dessa semana, pensei nele: O dólar! Mas porque a taxa de câmbio no Brasil anda tão volátil e porque a moeda está se desvalorizando com tamanha velocidade?  Na minha humilde avaliação, existem três pontos básicos.


a) O grau de confiança na economia brasileira vem diminuindo, a saída de capitais e a desaceleração e até alguns cancelamentos de investimentos no país, vem mudando a percepção do investidor estrangeiro, assim, para sair de seus investimentos em carteira no Brasil o mesmo vende seus ativos locais em troca reais por dólares para repatriar ou realocar seus recursos, o que pela lei da oferta e da procura valoriza a taxa de câmbio.

b) A gestão econômica brasileira é “Desenvolvimentista” essa corrente ligada aos professores de economia da Unicamp, pensam que a indústria brasileira deve ser protegida da concorrência Chinesa e para isso devemos criar impostos contra os mesmos, dar crédito a "taxas de governo" a indústria nacional e desvalorizar a moeda (Real) para que os nossos produtos se tornem competitivos, mesmo não sendo os mais eficientes.

c) FED: O banco central norte americano é quem dará o real tom da taxa de câmbio no Brasil, se os estímulos forem gradativamente retirados e ocorrer uma elevação da sua taxa de juros o jogo muda e nem o BC brasileiro será capaz de conter o nervosismo nos mercado pelo menos no curto prazo. Assim esse é o principal “driver” para a câmbio e outras variáveis de investimentos no ano, assim resta apenas esperar porque a “Estrada é longa e sinuosa” como diz a canção dos Beatles.

Agora, que falei das prováveis causas, vamos para algumas as conseqüências:

1)      Inflação: A taxa de câmbio mais elevada, em uma país com elevada dependência externa em sua matriz produtiva leva ao aumento da inflação, como a nossa “industria nacional” é bastante ineficiente em comparação com os padrões internacionais, a sociedade local paga o custo dos produtos “subsidiados” pelo câmbio e pela falta de competitividade da industria nacional.

2)      Ineficiência: Com a manada de subsídios concedidos pelo governo, via desonerações fiscais ou mesmo via ajuda do “papai BNDES” o produto genuinamente brasileiro é mais caro que o produto importando, não porque é pior (geralmente sim), mas sim porque não atende aos padrões internacionais e é ineficiente do ponto de vista produtivo, o que gera a clássica perda de bem-estar da sociedade pela ineficiência de produção e comercio internacional, pois o Brasil que hoje tem o presidente da OMC tem uma das menores taxas de comercio do mundo.

3)   Petrobrás e Balança Comercial: Mas nem tudo é ruim com a desvalorização do real, as exportações dos produtos ineficientes são marginalmente beneficiadas, já os eficientes funcionam bem em “quase qualquer” regime de câmbio, como por exemplo, o agronegócio. Mas a balança comercial tem sido punida com o “déficit” gerado pela Petro por importar petróleo refinado em diferença a exportação do petróleo bruto de baixo valor agregado, ou seja, vendemos por 100 e recompramos por 200, logo a conta não vai fechar e o resultado do saldo comercial nacional é o pior da história, um déficit de US$ 4,98 bilhões no ano de 2013.

4)    Reservas: Provável queda das reservas comerciais, geradas pela queda do saldo comercial e gastos do BACEN na tentativa de “lutar” contra o mercado para conter a taxa de câmbio, e apenas lembrando o problema não é a taxa de câmbio, mas a falta eficiência produtiva brasileira.

5)   Mercado Futuro e Dividas: A elevada volatilidade causada nas últimas semanas por sinais confusos da dupla Fazenda e BACEN, acertando apenas na sexta-feira (23/08), vai criará problemas nos balanços das empresas nacionais que tem elevada exposição em divida estrangeira contratadas a taxas muito baixas nos seus mercados de origem, mas isso vai mudar em breve...

Não vou me delongar sobre esses fatos e fazer previsões sobre a taxa de câmbio (já tinha falado em fevereiro desse ano que ela iria a R$ 2,50), mas o que mais gostaria de dizer é que estamos do lado do Brasil, independente de A ou B, o mais importante é manter as conquistas atuais do país com equilíbrio fiscal e estabilidade monetária, afinal esses são valores econômicos inalienáveis.




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