O Chipre é uma pequena ilha no mar
mediterrâneo, possui pouco mais de 1 milhão de habitantes um PIB de US$ 24
bilhões de dólares, conta com bons indicadores sociais; IDH de 0,84
(considerado elevado), Índice de GINI de 0,29 (quanto menor melhor) e uma renda
per capita de US$ 28 mil dólares. Um país pequeno em termos relativos
para a economia mundial, mas importante em seu provável efeito simbólico e
vamos entender o porquê disso tudo...
Na madrugada de sábado de 15/03/2013,
foi organizado um projeto de lei no Chipre para prover os países credores e
sendo exigida uma chamada de capital da ordem de € 10 a 17 bilhões de euros,
como havia sido especulado.
Cria-se um imposto único de 9,9% sobre
todos os depósitos acima do limite de € 100.000 euros antes dos bancos
reabrirem depois de um feriado bancário na segunda-feira dia 18/02/2013. Essa ideia tinha
estado no ar por um tempo, até porque muitos desses depósitos são de fora
Chipre, da Rússia, em particular. A política de salvar russos ricos com
dinheiro emprestado pelos alemães não agrada o parlamento europeu, uma atitude
tipicamente germânica.
Imagine você um cidadão Cipriota (não
confunda com idiota), acorda, vai ao banco consultar seu saldo e encontrar
todas as agências bancárias fechadas e percebe que não pode consultar seus
saldos nem muito menos sacar dinheiro. Assim a oferta de capital dos bancos
para substituir o valor de suas economias se destina a ser um bálsamo
(evaporará e tem terrível odor). A explicação mais plausível para essa medida é
a de que o governo do Chipre tenha preferido para espalhar a dor, em vez de
acabar com os depósitos off-shore e prejudicar suas
perspectivas de longo prazo como um centro financeiro para dinheiro russo e
outros.
Seja qual for à razão, é um erro por
três razões. O primeiro erro é despertar risco de contágio em outras partes da
zona do euro e gerar uma desconfiança sem proporções ainda calcula de uma
corrida bancária. Os líderes europeus justificam tal medida como a única a ser
tomada dada as atuais situações de temperatura e pressão no Chipre. Mas se você
fosse um depositante em um país periférico que precisasse de um resgate da
União Européia (EU) o que faria?
O segundo erro é a desigualdade. Como
separar ou a tentativa de separar dinheiro russo dos recursos da pátria? Afinal
o capital financeiro tem muitas e múltiplas ligações e como bem sabem os meus
amigos economistas “o capital financeiro não tem pátria”, o que não faz dele
ruim ou bom, faz dele um componente fluido e volátil que deve ser cuidado de
forma igual, pois a mesma capacidade de movimento que tem no Chipre tem nas
Ilhas Cayman ou mesmo em Singapura. O capital deve sim correr riscos, esta em
sua essência, mas não ser regulado de tal maneira a perturbar o sistema com
tamanha brutalidade.
O erro final é estratégico. O negócio
cipriota não tem coerência no contexto maior. A crise do euro está em suspenso
por alguns meses, em grande parte graças à prontidão do BCE que interviu para
ajudar os países em dificuldades. O preço econômico para o BCE é insistir em
programas de resgate com perfis customizados para cada país, entretanto o preço
político parece ter um custo enorme, pois mais uma vez mostra o “racha” dentro
da “união” econômica da Europa.
Assim o resgate parece mover a Europa
mais longe das reformas institucionais que são necessárias para resolver a
crise de uma vez por todas. Ao invés de usar o Mecanismo de Estabilidade
Européia para re-capitalizar os bancos e, assim, enfraquecer a relação entre os bancos
e os seus governos, a zona euro continua a equacionar problemas bancários com
divida soberana.
Em resumo o que a Europa precisa é de
um bom PROER (Programa de Estímulo à
Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional) feito
no Brasil pelo governo FHC e que saneou os bancos nacionais e deu estabilidade
o sistema nacional, impedindo o uso de recursos púbicos para sanear o sistema
financeiro, ou poderemos amargar mais anos de recessão na zona do euro, com
graves problemas de instabilidade sistêmica que será sentida em todo o mundo e
apenas para completar com um toque de humor sarcástico; No Chipre se fala
grego!
Sobre a importância da
saúde do sistema financeiro para qualquer país, o professor Mário Henrique
Simonsen lembra um momento amargo da história americana: “não podemos esquecer
o exemplo da recessão de 1930 nos Estados Unidos, que acabou virando depressão
econômica justamente porque o BC norte-americano não evitou uma crise bancária”.
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