domingo, 15 de setembro de 2013

O que lembro de 15/09/2008



Um dia histórico para o mundo. Dia 15 de setembro de 2008 foi inesquecível, ao longo daquele ano desde maio quando a bolsa brasileira chegava aos seus impressionantes 73.516 pontos e recebia o "grau de investimento" das principais agencias internacionais de classificação de risco o mesmo índice chegou aos também impressionantes  29.430 pontos em outubro do mesmo ano, em função dos acontecimentos de setembro. Mas o que de tão importante aconteceu em setembro daquele ano para o principal índice da bolsa variar -60%?

A quebra do Lehman Brothers o quarto maior banco do investimentos dos EUA, uma instituição fundada em 1850 e com um grande legado para o capitalismo norte americano e mundial. Mas o que deu errado? Não entrarei em detalhes do processo das hipotecas de risco conhecidas como "subprime". Os empréstimos de risco eram grande parte da carteira do banco, que apresentava uma elevada alavancagem em proporção de 33:1 (33 de recursos de terceiros para 1 de recursos próprios), no Brasil esses números estabelecidos pelo Basileia II e pelo Bacen giram em torno de 13:1. 

Somando-se a elevada exposição do Lehman com a total instabilidade vivida nos mercados naquele ano em função dos calotes do setor imobiliário norte americano que tinha como principais colaterias os derivativos de hipotecas de alto risco, gerou um efeito devastador! Muitas instituições passaram por grandes dificuldades ao longo do ano, mas no caso especifico do banco de investimentos centenário a grande questão era eles são "to big to fail", traduzindo "grandes de mais para quebrar", essa foi a leitura dos formadores de politica econômica dos EUA naquele momento e o seu então secretário do tesouro Hank Paulson que ideologicamente não interferiu no processo de ajuda ao banco e o mesmo foi a falência. 

Entretanto, falência por falência muitos quebraram e continuaram a quebrar, mas o problema foi o tamanha do problema e que consequentemente levaria o estado norte americano a ter mais problemas e viver uma situação de "refém" junto as instituições financeiras e outras, mas o que  agravou a situação foi o efeito desencadeados nos mercado, o problema daquele dia em diante foi um quase "colapso" do sistema financeiro e um travamento das operações bancarias no resto do mundo. O restante da história é o que está ai... problemas fiscais, recessão econômica e outros...

O mundo economicamente não melhorou muito desde aquele 15 de setembro, os emergentes que foram mais resistentes agora apresentam sinais de desaceleração e os países desenvolvidos caminham com grandes dificuldades, mas apresentam melhoras marginais e pontuais. Entretanto toda a tragedia sempre deixa um legado, no caso do Lehman a certeza que tudo ou nenhum grupo por mais forte que seja está livre de um desaparecimento abrupto "Eike que diga X"!







Lula e sua herança

Não podemos negar que o ex-presidente Lula deixou um legado para o Brasil, amparado pela estabilidade econômica e pelo fortalecimento das instituições a gestão Lula se beneficiou e muito do magnifico momento macroeconômico mundial, com o crescimento do mundo desenvolvido e dos emergente e ainda a total inversão da teoria dos termos de torca. As commodities ganharam preço e os manufaturados ficaram mais baratos (efeito China). 

Segue abaixo o documentário "8 anos em 80 minutos"



Entretanto o governo Lula não foi capaz de atacar os grande problemas do Brasil e nem promover reformas importantes e transformadores, pois essas medidas eram impopulares e de grande conflito no congresso. Não podemos esquecer também dos grandes casos de corrupção que fizeram parte do seu governo e tem reflexos até nos dias atuais. 





segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A Construção de Fernando Henrique

Esse final de semana não escrevi nenhum artigo para o blog, em função de algumas demandas do trabalho e do mestrado e não irei escrever durante a semana. Assim, minhas sugestão é que assistam a esse belo documentário sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um pouco sobre sua vida e obra.




Na próxima semana, postarei um documentário sobre o ex-presidente LULA, que também foi um presidente muito importante, afinal deu continuidade aos ajustes de política econômica criados no governo FHC.




sábado, 31 de agosto de 2013

O Brasil dos contrários

Quando geralmente sou perguntado por clientes, jornalistas, alunos ou colegas se a elevação da taxa de juros (SELIC) é uma medida correta para conter a atual escalada inflacionário no Brasil eu geralmente respondo: - Sim, mas é um remédio amargo e com efeitos colaterais nocivos.



Tentarei me fazer entender. Elevar juros é a recomendação básica em qualquer livro-texto de macroeconomia para se conter o consumo e o crescimento econômico que gera pressão inflacionária, ao elevar a taxa de juros se tem o famoso efeito ex-post de contração de demanda (política monetária contracionista) e assim a inflação “tende” a convergir para dentro da meta.

Agora vamos tentar responder o problema pela causa e não pela conseqüência: Seria possível reduzir a inflação sem usar a recomendação do livro-texto? A resposta é: Sim, mas em partes. Não podemos negar a importância da política monetária para o controle da inflação, entretanto na realidade brasileira grande parte da nossa inflação é gerada pela ineficiência da gestão dos gastos públicos, ou seja, a política fiscal do ministério da fazenda produz inflação.

Não vou aqui usar o espaço para colocar artigos acadêmicos ou modelos econometricos e matemáticos que justifiquem o peso do gasto público na inflação, apenas vou fazer a citação de um trabalho que acho fundamental para todo o estudante da área ou curioso no assunto que é o artigo “An Exploration of Optimal Stabilization Policy” do professor de Harvard Gregory Mankiw, mas tentarei usar um exemplo simples de como o gasto fiscal é relevante na inflação.

Para simplificar o entendimento: Imagine uma economia que arrecada R$ 1.000 por ano e tem um custo anual de R$ 1.500, assim para fechar as suas contas a mesma passa a emitir títulos (se endividar) no valor de R$ 500 a um custo de 10%a.a. Logo, todo o ano é gerado um déficit por conta dos juros dos títulos que se acumulam nos anos anteriores de suas emissões, ao mesmo tempo o volume de gastos passa a evoluir em magnitude maior que o montante arrecadado, assim os seus gestores devem emitir mais títulos e gerar conseqüentemente mais déficits. Admitindo uma gestão monetária eficiente, ou seja, que não gere desequilíbrios o lado fiscal seria responsável pela distorção e desequilíbrio dessa economia. 

Isso é o Brasil de hoje!

O desequilíbrio causado pelo lado fiscal da economia brasileira impede que o Bacen possa entregar suas metas de forma mais eficiente e dificulta que parte do componente da inflação nacional se enquadre. Para complementar a situação, o desconforto com o câmbio produz efeitos punitivos contra o nível de preços, não por um problema apenas de desvalorização, mas de competitividade e produtividade conforme comentamos no artigo da semana passada.

Assim o recomendado é que o Banco Central continue promovendo o seu aperto monetário de forma vigilante, mas que o Ministério da Fazenda passe a atuar de forma mais solidária e prudente com os seus gastos ou a gestão de política econômica no Brasil será como “enxugar gelo”, mas que nó fim sempre irá derreter...

domingo, 25 de agosto de 2013

The Long And Winding Road – A taxa de câmbio no Brasil

O título acima é de uma famosa música que fala sobre estrada, caminho, chegada e percurso. Quando pensava no que escrever para o artigo dessa semana, pensei nele: O dólar! Mas porque a taxa de câmbio no Brasil anda tão volátil e porque a moeda está se desvalorizando com tamanha velocidade?  Na minha humilde avaliação, existem três pontos básicos.


a) O grau de confiança na economia brasileira vem diminuindo, a saída de capitais e a desaceleração e até alguns cancelamentos de investimentos no país, vem mudando a percepção do investidor estrangeiro, assim, para sair de seus investimentos em carteira no Brasil o mesmo vende seus ativos locais em troca reais por dólares para repatriar ou realocar seus recursos, o que pela lei da oferta e da procura valoriza a taxa de câmbio.

b) A gestão econômica brasileira é “Desenvolvimentista” essa corrente ligada aos professores de economia da Unicamp, pensam que a indústria brasileira deve ser protegida da concorrência Chinesa e para isso devemos criar impostos contra os mesmos, dar crédito a "taxas de governo" a indústria nacional e desvalorizar a moeda (Real) para que os nossos produtos se tornem competitivos, mesmo não sendo os mais eficientes.

c) FED: O banco central norte americano é quem dará o real tom da taxa de câmbio no Brasil, se os estímulos forem gradativamente retirados e ocorrer uma elevação da sua taxa de juros o jogo muda e nem o BC brasileiro será capaz de conter o nervosismo nos mercado pelo menos no curto prazo. Assim esse é o principal “driver” para a câmbio e outras variáveis de investimentos no ano, assim resta apenas esperar porque a “Estrada é longa e sinuosa” como diz a canção dos Beatles.

Agora, que falei das prováveis causas, vamos para algumas as conseqüências:

1)      Inflação: A taxa de câmbio mais elevada, em uma país com elevada dependência externa em sua matriz produtiva leva ao aumento da inflação, como a nossa “industria nacional” é bastante ineficiente em comparação com os padrões internacionais, a sociedade local paga o custo dos produtos “subsidiados” pelo câmbio e pela falta de competitividade da industria nacional.

2)      Ineficiência: Com a manada de subsídios concedidos pelo governo, via desonerações fiscais ou mesmo via ajuda do “papai BNDES” o produto genuinamente brasileiro é mais caro que o produto importando, não porque é pior (geralmente sim), mas sim porque não atende aos padrões internacionais e é ineficiente do ponto de vista produtivo, o que gera a clássica perda de bem-estar da sociedade pela ineficiência de produção e comercio internacional, pois o Brasil que hoje tem o presidente da OMC tem uma das menores taxas de comercio do mundo.

3)   Petrobrás e Balança Comercial: Mas nem tudo é ruim com a desvalorização do real, as exportações dos produtos ineficientes são marginalmente beneficiadas, já os eficientes funcionam bem em “quase qualquer” regime de câmbio, como por exemplo, o agronegócio. Mas a balança comercial tem sido punida com o “déficit” gerado pela Petro por importar petróleo refinado em diferença a exportação do petróleo bruto de baixo valor agregado, ou seja, vendemos por 100 e recompramos por 200, logo a conta não vai fechar e o resultado do saldo comercial nacional é o pior da história, um déficit de US$ 4,98 bilhões no ano de 2013.

4)    Reservas: Provável queda das reservas comerciais, geradas pela queda do saldo comercial e gastos do BACEN na tentativa de “lutar” contra o mercado para conter a taxa de câmbio, e apenas lembrando o problema não é a taxa de câmbio, mas a falta eficiência produtiva brasileira.

5)   Mercado Futuro e Dividas: A elevada volatilidade causada nas últimas semanas por sinais confusos da dupla Fazenda e BACEN, acertando apenas na sexta-feira (23/08), vai criará problemas nos balanços das empresas nacionais que tem elevada exposição em divida estrangeira contratadas a taxas muito baixas nos seus mercados de origem, mas isso vai mudar em breve...

Não vou me delongar sobre esses fatos e fazer previsões sobre a taxa de câmbio (já tinha falado em fevereiro desse ano que ela iria a R$ 2,50), mas o que mais gostaria de dizer é que estamos do lado do Brasil, independente de A ou B, o mais importante é manter as conquistas atuais do país com equilíbrio fiscal e estabilidade monetária, afinal esses são valores econômicos inalienáveis.